Lagartos

Os Lagartos

Os lagartos são os répteis que existem em maior número. Hoje são conhecidas mais de 3000 espécies destes animais. A maioria vive no solo, mas outros são arborícolas, outros escavadores e até aquáticos. Alguns não possuem patas, parecendo-se com as cobras, outros podem até planar. Os lagartos são os mais bem sucedidos de todos os répteis, e toda a gente já esteve em contacto com alguns.

Habitantes do planeta há centenas de milhares de anos, é natural que os répteis tenham se adaptado aos mais diferentes climas e latitudes. Os lagartos, por exemplo, surgiram no período triássico e podem ser encontrados no mundo inteiro, com exceção dos pólos e em todos os tamanhos, que varia desde as pequenas lagartixas (Phelsumas, Gekkos, etc.), as iguanas gigantes, como as 4 espécies que vivem nas Ilhas Galápagos, que atingem até 2,5 metros de comprimento. Vivem na água ou na terra; alguns são arborícolas, enquanto outros escavam tocas para se proteger do calor excessivo ou capturar presas. Algumas espécies, nativas de regiões de clima temperado, desenvolveram um sistema de estocar gordura na cauda, para se alimentar durante o inverno. Várias espécies de Anolis, nativos da América do Norte, migraram para o Havaí, região tropical, e estão vivendo muito bem.
Para se proteger dos predadores, alguns “inventaram” cores berrantes, como os geckos; outros mudam de cor de acordo com o ambiente, como os camaleões. Na pele de diversos lagartos existem venenos suficientemente poderosos para manter os agressores a distância.
Além das necessidades básicas (alimentação, iluminação, etc.), existem alguns conceitos elementares que precisam ser conhecidos pelo admirador de lagartos: o sistema de regulação da temperatura; seus hábitos sociais, especialmente a demarcação do território; a maneira Omo absorvem e metabolizam sais fundamentais ao desenvolvimento, a determinação do sexo dos filhotes, etc.

Regulação da temperatura corporal

Lagartos são animais pecilotérmicos. Em outras palavras, eles procuram sombra ou fontes de calor para equilibrar a sua temperatura corporal. Esta, geralmente, varia entre 25° a 35°C, mas alguns lagartos do deserto (como o monstro de gila, Heloderma suspectum e seu primo próximo, o H. horridum) podem exigir ambiente aquecido acima de 30°C durante o dia, enquanto esperam temperaturas mais amenas à noite e no inverno.
A temperatura correta, porém, nem sempre está relacionada somente ao local de origem. Alguns lagartos de Madagáscar, por exemplo, são diurnos, mas adaptam-se facilmente a ambientes mais frescos, porque tem o habito de passar o dia ocultos sob as folhas. O ideal é a instalação de rochas aquecidas, para que o próprio animal decida quando deve ficar “quente” ou “frio”. Mas é preciso ter cuidado para que as lâmpadas e rochas não superaqueçam o terrário, o que pode ser fatal para os lagartos.
Outro ponto a considerar é a amplitude térmica. Em locais de estações claramente definidas, como é o caso dos EUA e da Europa, os lagartos precisam da variação térmica para reduzir o metabolismo, acumular gordura e, no retorno dos dias quentes, retomar as suas atividades: caçar, acasalar, etc.

Territorialidade

Um fator que deve ser considerado são os hábitos sócias dos lagartos. Da mesma forma que boa parte dos ofídios, estes animais são bastante agressivos na defesa da sua área de caça e coleta. Na maioria dos casos, são os machos que exibem este tipo de comportamento: as fêmeas fazem parte do seu “terreno”. Em algumas espécies, as fêmeas também se tornam agressivas. Os conflitos são mais sérios no período do acasalamento; uma vez atingida a maturidade sexual, devem ser mantidos isolados. Em alguns casos, não é possível determinar o sexo dos lagartos (como é o caso dos Varanus ou monitores); que é preciso avaliar cuidadosamente o seu comportamento, para separar dois “latifundiários” eventualmente reunidos, antes que as lutas ocorram.
A defesa do território, em geral, é expressa por gestos. Um macho se torna dominante, impedindo os demais de se aproximar das fêmeas e mesmo de caçar. Na natureza, o comportamento natural é enfrentar o dominante ou procurar outra região para estabelecer o território; entretanto, é muito difícil que haja espaço suficiente no terrário para que isso possa ocorrer, mesmo quando as lutas não se efetivam, o animal submetido vai procurar se ocultar, fator que provoca estresse, impede a alimentação adequada e termina por provocar a morte do animal.

Vitamina D, cálcio e fósforo

Especialmente as espécies mais coloridas, como as do gênero Phelsuma, são incapazes de absorver a vitamina D3 presentes nos alimentos. É necessária, para estes animais, a instalação de fontes ultravioleta, de vez que, na pele destes lagartos, existem células especializadas na metabolização dessa substancia. A vitamina D3 é indispensável na fixação de cálcio e fósforo, elementos necessários à boa conformação do esqueleto. Para corrigir este problema, pode-se optar por rações especiais, ricas em sais minerais, ou pulverizar o alimento (inclusive presas vivas) com casca de ovo moída, por exemplo. Lâmpadas especiais podem ser instaladas, para simular a luz solar e permitir que os próprios animais metabolizem a vitamina D3.

A determinação do sexo

Uma parte dos lagartos tem o sexo determinado no próprio momento da concepção, de acordo com a herança genética transmitida pelo pai, como acontece entre a maioria dos animais. Para outros, no entanto, o sexo é definido pela temperatura a que os ovos ficarão expostos durante o período de incubação. Há um intervalo de tempo logo depois da postura, em que o sexo ainda não esta definido. Caso estes ovos sejam submetidos a baixas temperaturas, os filhotes serão fêmeas; quando forem expostos a 30°C ou mais, nascerão machos . como é evidente, as temperaturas muito baixas (menos de 15°C) e muito altas (acima dos 35°C), conforme a espécie, impedirão o desenvolvimento dos embriões.
Todas as espécies de Eublepharidae (como os leopards geckos) e Phelsumas (laticauda, lineatus, etc.) tem o sexo determinado pela temperatura.

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-Share Alike 2.5 License.